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Os impactos das adversidades climáticas na produção de soja

Foto: Pixabay

O cultivo da soja, assim como as demais culturas agrícolas, depende de boas condições climáticas para expressar o seu potencial produtivo. Desse modo, o clima é um dos principais fatores de risco para o sucesso da cultura, especialmente quando se consideram os cenários futuros de mudanças climáticas, como, por exemplo, o aquecimento global.

Trata-se de um cenário de incertezas, no qual a lavoura fica exposta à imprevisibilidade das variações climáticas. Nesse cenário, de que maneira o produtor pode agir para tentar minimizar os impactos das adversidades climáticas na produção de soja? Para nos ajudar a visualizar algumas alternativas para este desafio, conversamos com o engenheiro agrônomo Alexandre Rio, que apresentou sua dissertação de mestrado na USP-ESALQ com o tema: Aquecimento global – impacto na produtividade da cultura da soja e ações estratégicas de manejo para sua minimização em diferentes regiões do Sul do país.

De acordo com Alexandre, o produtor pode seguir algumas estratégias de manejo da cultura da soja de modo a minimizar os riscos associados ao aquecimento global. Ele citou como exemplo a alteração das datas da semeadura da soja, buscando períodos que possam amenizar os impactos proporcionados pela elevação das temperaturas. “Para isso, o produtor pode utilizar modelos de simulação de cultura para simular, por exemplo, as condições climáticas atuais e futuras”, sugere.

Para ele, a produção sustentável, feita com um bom manejo de solo e da lavoura como um todo, pode contribuir para mitigar os impactos das adversidades do clima. “Temos o exemplo do plantio direto que, em relação ao plantio convencional, tem menor emissão de monóxido de carbono (gás de efeito estufa) lançados na atmosfera, pois há menos consumo de combustível durante a semeadura em comparação ao plantio convencional que demandaria maior consumo de combustível em função do preparo do solo antes da semeadura”, destaca.

Além de reduzir a emissão de monóxido de carbono na atmosfera e consequentemente contribuir para combater o aquecimento global, o plantio direto diminui os custos da produção e o impacto das adversidades climáticas. No plantio direto, a palhada da cultura anterior à soja ajuda a reter a umidade do solo, preservando a lavoura por mais tempo em casos de secas prolongadas. Nesta modalidade de plantio, a água infiltra com mais facilidade no solo, motivando a redução da erosão e perda de nutrientes por arrasto para as partes mais baixas do terreno.

Outra alternativa citada pelo engenheiro agrônomo refere-se ao uso de cultivares de soja mais adaptadas às condições climáticas de cada região. No caso de regiões mais sujeitas a enchentes, o produtor poderia optar por cultivares mais adaptadas às condições de solos saturados com água. Já em regiões mais quentes e secas, o produtor teria a opção de cultivares lançadas para regiões áridas onde suporte por mais tempo eventos de seca mais prolongadas.

Alexandre reforça que, ao atrasar ou antecipar a semeadura da cultura da soja em relação à época atualmente recomendada, observou-se diferenças nas produtividades médias e nas suas variabilidades interanuais, o que possibilita considerar tal estratégia de manejo como uma possível ação para minimização dos impactos do aquecimento global na produtividade da cultura da soja na região Sul do Brasil.

“Dentre as cidades pesquisadas na região Sul, as menores perdas de produtividade da soja para os cenários futuros, com acréscimos de temperatura, ocorreram nas localidades de Castro-PR, e Santa Maria-RS. Já as maiores perdas de produtividade, nas localidades de Palotina-PR e Uruguaiana-RS”, complementa.

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